quarta-feira, 13 de outubro de 2010
LER E OUVIR MUSICA É DIVERSÃO!
Dia desses ouvi uma jovem dizer que ler e ouvir musica é desgastante e que não sobra tempo para....para o quê? desde quando ler e ouvir musica impede alguem de esquiar, namorar, correr, dormir? eita ! precisamos rever nosso conceito sobre ''trabalho''...
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Tiririca: Entre a piada, a desgraça e a palhaçada.

Por Leonardo Alcântara
Desde pequeno, durante os períodos de eleições no país, sempre ouvi que o voto é algo muito importante. Para alguns, uma obrigação. Para outros, um dever e um modo de exercer a cidadania. Este ano, li até de alguns colunistas que o dia da eleição seria um dia histórico para o país. De fato, a eleição do último dia três de outubro foi um dia para a história, mas o que ficou marcado não foi o novo panorama político ou o exercício da democracia. As últimas eleições ficarão marcadas pelo circo que bancamos e o palhaço que nós somos.
Francisco Everardo Oliveira Silva, mais conhecido como o palhaço Tiririca (PR), foi eleito deputado federal pelo estado de SP com mais de 1,3 milhão de votos. Pelos os números do TSE, Tiririca foi o deputado mais votado do país. Segundo o site Brasil Atual (http://www.redebrasilatual.com.br/multimidia/blogs/blog-na-rede/tiririca-teve-votos-para-se-eleger-governador-em-15-estados/view), Tiririca teve votos suficientes para se eleger governador em 15 estados. Para vocês terem uma ideia, Tiririca teve mais votos que Plínio de Arruda Sampaio, candidato a presidência pelo PSOL. Palhaçada? Sim, palhaçada nossa!
Durante a campanha, Tiririca usou o bordão: “Vote no Tiririca, pior que está não fica”. Aqueles que acreditaram na frase e votaram no candidato achando que assim estariam fazendo um voto de protesto sobre toda a insignificância do congresso nacional, se enganaram e cometeram um golpe contra a própria dignidade, pois isto não é protesto, isto é um tiro para o alto, onde tudo pode acontecer. Com eleições não se brinca.
Tiririca não foi o candidato da educação, da saúde ou da segurança pública. Tiririca não tem proposta. Ele não está preocupado com você. Tiririca foi uma manobra do PR para agraciar votos para sua coligação. Precisava de 304.533 votos para ser eleito. obteve 1.353.820. Sua sobra, de 1,049 milhão de votos, foi suficiente para a coligação PRB / PT / PR / PC do B / PT do B eleger mais três deputados federais, os últimos a preencher as 24 vagas a que a coligação teve direito: Otoniel Lima (PRB-SP), delegado Protógenes (PC do B-SP) e Vanderlei Siraque (PT-SP). Poderíamos até inventar o bordão: “Vote num palhaço e ganhe três”. Não elegemos um cidadão comprometido com o bem estar do povo. Elegemos a manobra e o oportunismo.
Muitos perguntam: Ah, mas se o Tiririca for bom? Eu não tenho dúvidas de que ele será ruim. Durante sua trajetória artística, Tiririca nunca esteve comprometido com a democracia, o avanço republicano e nem com nossas questões sociais. Ele não tem bandeira! Qual foi a música que ele fez em prol do Brasil? O que eu me lembro bem é Tiririca sendo acusado por racismo, em 1996, por conta dos versos da música "Veja os Cabelos Dela". Em 1998, Tiririca foi absolvido da acusação. Tirem as suas próprias conclusões nos versos da canção: “Veja, veja, veja os cabelos dela/ Parece bombril de arear panela/Quando ela passa, me chama atenção/Mas os seus cabelos não têm jeito não/ A sua catinga quase me desmaiou/Olha eu não aguento o seu fedor". Muitos podem achar que os versos não são racistas, mas dentro de um contexto sociocultural, tais versos são totalmente inapropriados. Eu não considero isso arte.
Tiririca fez carreira e ganhou dinheiro deturpando o nordestino, brincando e exaltando a própria desgraça alheia e toda miséria imposta. Sem dúvida é um grande aproveitador. Mas tenho certeza que de palhaço ele não tem nada. Nós somos o palhaço e quem ri da cara da gente é o Tiririca.
No dia primeiro de janeiro o circo estará armado. Parabéns, abestados!
Francisco Everardo Oliveira Silva, mais conhecido como o palhaço Tiririca (PR), foi eleito deputado federal pelo estado de SP com mais de 1,3 milhão de votos. Pelos os números do TSE, Tiririca foi o deputado mais votado do país. Segundo o site Brasil Atual (http://www.redebrasilatual.com.br/multimidia/blogs/blog-na-rede/tiririca-teve-votos-para-se-eleger-governador-em-15-estados/view), Tiririca teve votos suficientes para se eleger governador em 15 estados. Para vocês terem uma ideia, Tiririca teve mais votos que Plínio de Arruda Sampaio, candidato a presidência pelo PSOL. Palhaçada? Sim, palhaçada nossa!
Durante a campanha, Tiririca usou o bordão: “Vote no Tiririca, pior que está não fica”. Aqueles que acreditaram na frase e votaram no candidato achando que assim estariam fazendo um voto de protesto sobre toda a insignificância do congresso nacional, se enganaram e cometeram um golpe contra a própria dignidade, pois isto não é protesto, isto é um tiro para o alto, onde tudo pode acontecer. Com eleições não se brinca.
Tiririca não foi o candidato da educação, da saúde ou da segurança pública. Tiririca não tem proposta. Ele não está preocupado com você. Tiririca foi uma manobra do PR para agraciar votos para sua coligação. Precisava de 304.533 votos para ser eleito. obteve 1.353.820. Sua sobra, de 1,049 milhão de votos, foi suficiente para a coligação PRB / PT / PR / PC do B / PT do B eleger mais três deputados federais, os últimos a preencher as 24 vagas a que a coligação teve direito: Otoniel Lima (PRB-SP), delegado Protógenes (PC do B-SP) e Vanderlei Siraque (PT-SP). Poderíamos até inventar o bordão: “Vote num palhaço e ganhe três”. Não elegemos um cidadão comprometido com o bem estar do povo. Elegemos a manobra e o oportunismo.
Muitos perguntam: Ah, mas se o Tiririca for bom? Eu não tenho dúvidas de que ele será ruim. Durante sua trajetória artística, Tiririca nunca esteve comprometido com a democracia, o avanço republicano e nem com nossas questões sociais. Ele não tem bandeira! Qual foi a música que ele fez em prol do Brasil? O que eu me lembro bem é Tiririca sendo acusado por racismo, em 1996, por conta dos versos da música "Veja os Cabelos Dela". Em 1998, Tiririca foi absolvido da acusação. Tirem as suas próprias conclusões nos versos da canção: “Veja, veja, veja os cabelos dela/ Parece bombril de arear panela/Quando ela passa, me chama atenção/Mas os seus cabelos não têm jeito não/ A sua catinga quase me desmaiou/Olha eu não aguento o seu fedor". Muitos podem achar que os versos não são racistas, mas dentro de um contexto sociocultural, tais versos são totalmente inapropriados. Eu não considero isso arte.
Tiririca fez carreira e ganhou dinheiro deturpando o nordestino, brincando e exaltando a própria desgraça alheia e toda miséria imposta. Sem dúvida é um grande aproveitador. Mas tenho certeza que de palhaço ele não tem nada. Nós somos o palhaço e quem ri da cara da gente é o Tiririca.
No dia primeiro de janeiro o circo estará armado. Parabéns, abestados!
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domingo, 3 de outubro de 2010
tenho cara de palhaça durante, antes e após a eleição...?
Quero lembrar que o ato de pensar não é uma função natural e sim cultural....e que o conteúdo do que pensamos reflete invariavelmente o momento político no qual estamos inseridos; alguns sujeitos conseguem se manter quase que purificados desse 'derramamento' épico...e talvez eu seja, infelizmente , um desses sujeitos, pois meus pensamentos não estão adequados à época em que vivo e minha críticas repercutem essa oposição de construção de pensamento.Durante os comentários e ditos engajamentos políticos , me vejo absolutamente solitária, pois não concordo com a forma como o nosso dinheiro é gerenciado e muito menos com o esquema de eleição [obrigatória] contendo candidatos desqualificados administrativamente e com recorrentes historias de corrupção.
Fico vendo quanto material é dado através da mídia para o povo que gosta de postar , ver, ouvir e ler sobre vergonhas e brincadeiras de péssimo gosto e sem valor cultural e muito menos informativo, transformando a época de uma mudança do administrador do dinheiro publico (a eleição) para uma baderna sem fim, com direito a encontros inconsequentes, bebedeiras, brincadeiras e mascaras!
Como pode isso? se existe um momento sério, este são exatamente o que são marcados por rituais: casamento, velório, votação...e o que tenho visto me tem deixado com um sentimento de desterritorializada, pois tenho assistido a muitas festas de casamentos, muitos velórios e muitas votações no oba oba exatamente no momento de uma mudança paradigmática, ou seja, alguma coisa esta acontecendo para além desses rituais, e me parece que o nome é CONFUSÃO E DESTRUIÇÃO DE VALORES! as pessoas acham engraçado quando vão a um casamento e seis meses depois os noivos se separam, ou quando vão a um casamento e dois anos depois se os noivos não se separaram, as pessoas se surpreendem, portanto, esperam que o casamento seja uma brincadeira com tempo marcado (?). Se vão a um velório, falam que aquela é uma oportunidade para encontros com amigos há muito sem ver, mas a exceção do mundo judeu, desconheço outro povo, ao menos no Brasil que fique enlutado por mais de uma semana pelo seu parente morto.
E sobre a eleição, caramba! uma grande parte da população sabe sobre candidatos sem precedentes e sem formação para o cargo; e estes candidatos servem de chacota...muitas informações da mídia, mas saber mesmo sobre todos os candidatos e suas formações e realizações, quase ninguém sabe e se postarmos ou falarmos sobre isso, somos chatos. Um País onde o cidadão não ama seu bairro, município, cidade, estado, não preza o turismo, não dá valor ao seu próprio dinheiro, não questiona sobre os impostos indevidos, sobre as multas extorsivas; não há queixa, o que há é baderna, barulho. Quem efetivamente vai a um câmara presenciar um dia de trabalho de um candidato eleito que exerce aquela função porque a maioria dos cidadãos votou nele? quem de fato escreve reivindicando e cobrando atitudes de algum empregado que legisla? quase ninguém!
Até a pouco tempo eu sempre referia o nome do cantor Tico Santa Cruz como jovem engajado e politizado....e hoje esse rapaz está na CASA DA FAZENDA ......? shows de 'realidade' que não são realidades, nomes em inglês num País colonizado por um País da Europa: Portugal. Intelectuais brasileiros que já não moram mais aqui, intelectuais brasileiros que estão na CASA DA FAZENDA....??! tem alguma coisa errado comigo, é isso? eu sei que sim! deve ser a forma como o meu pensamento se organizou, será que foi na minha infância? ou será que fui alfabetizada de maneira errada? será que bebi água contaminada? pois não tenho achado nada engraçado o que tenho lido e visto...!
E as relações? as pessoas não sabem mais do que se trata a palavra ética...considerar o outro não é uma pratica e sim um aprendizado....e nestas desconsiderações é que se alicerça os descasamentos, as piadas nos funerais, os votos de brincadeira...as brincadeiras nas eleições...hahahaaa....do que riem? o que é engraçado? vou postar a foto de um palhaço que deve ser minha mascara na próxima festa a fantasia....ou será que é a minha cara no dia a dia e eu é que não estou enxergando?
terça-feira, 20 de abril de 2010
domingo, 11 de abril de 2010
DOENÇA MENTAL
Todo o meu trabalho como Psicóloga Clínica e estudante de Psicanálise me remetem a refletir sobre a prisão vivida por um sujeito que tem como crime -social- pensar de maneira diferente da maioria que vive em grupo...naturalmente que não estou minimizando o sofrimento de quem vive com ou ao redor de um sujeito doente mental, muito menos o sofrimento deste sujeito que em alguns casos, senão numa maioria sabe que sua forma de pensar lhe causa dano e muitas vezes sua forma de pensar lhe conduz a ações também danosas...mesmo assim me permito pensar no sofrimento de quem pensa diferente, e por este motivo, é encaminhado a tomar remédios paralisantes, internações, prisões...prisão pela limitação nas relações sociais...por que será que nossa sociedade (praticamente globalizada) estabelece que normal é quem repete o comportamento do grupo? porque será que nossa sociedade (nós) estabelecemos como NORMAL que todos se vistam semelhantes, estudem em escolas parecidas....fico pensando o quanto essa orientação nos conduz a uma estrada inóspita, semelhante a guerras que promovemos no passado...penso em todos os sujeitos que morreram por pensar diferente, os que viveram trancados dentro de casa...os que foram mortos por terem alguma síndrome...quantos de nossos semelhantes hoje em dia vive preso dentro de si por não ter peso, cor, sexualidade, idade, idéias semelhantes a dita NORMAL?sábado, 27 de março de 2010
ENTREVISTA SOBRE CIÚME PATOLÓGICO
Revista:Plenitude
Jornalista: Fernando Damasceno
Psicóloga Clínica e Psicanalista: Jaqueline Ferreira
SOBRE CIÚME PATOLÓGICO
Revista Plenitude: Todas as pessoas sentem necessariamente ciúme da pessoa amada?
Jaqueline Ferreira: ''Sim, em princípio todos que amam sentem medo de perder a condição de pertencer ao Outro e de NÃO ter o Outro, e o ciume é um sentimento da ordem da insegurança e insegurança está no campo de quem ama, pois quem ama, não quer perder seu objeto amado, senão ficará "solto", desenlaçado, e o ser humano traz em sua construção psíquica,em sua subjetividade a informação cultural de que precisa de uma outra parte para dar conta de [seu desamparo] e ao encontrar esta outra parte, sentem-se mais seguros ou menos inseguros e pensar em perde-la leva o sujeito a se colocar na condição de frágil. Veja que frágil é uma condição humana, já que, ao termos um objeto (uma pessoa)a quem amar, sentimos insegurança e consequentemente ficamos ciumentos e NÃO encontrar a quem amar também remete a insegurança.De qualquer maneira, qualquer que seja o lado no qual o sujeito esteja, ele se sentirá frágil, e amedrontado: se sozinho, sem sua parte da laranja; se amando, sente insegurança e medo de perder sua parte da laranja! ou seja:de fato o sujeito ainda não encontrou nada, continuou no mesmo lugar de ''busca dor''...
RP: Amor e ciúme andam juntos?
JF: Sim, o amor nos coloca num lugar de inseguros, já que não queremos perder a quem amamos e temos a consciência de que não temos, efetivamente, como impedir que algum infortúnio nos "roube" este amor, por isso assistimos tantos parceiros "engordarem" o seu conjuge levando-lhe diariamente doces, frituras e, vemos tantos parceiros passarem "de repente" a interditar saídas a praias, boates , idas a casa de amigas(os), idas a jogos, assistimos famílias serem fragmentadas por que um parceiro impede a ida do outro até a casa de pais, ex-enteados etc
RP: Seria o ciúme sinal de baixa auto-estima?
JF: Penso que não, mesmo o sujeito que tem boa auto estima fica inseguro diante do fantasma de perder a quem ama, fazer análise -é também- uma boa decisão para quem ama , pois colaborará para que este ciúme, esta inseguança não se tranforme numa obssessão, numa insegurança patológica, em que se transforma alianças em algemas,em que se transforma a saúde de um encontro de amor, em um desencontro doentio, patológico. Não quero perder de vista o número de pessoas que fazem ou nunca fizeram análise, que amam e dizem "não ter ciúme",dizem "entender" a profissão do parceiro quando este é stripper, ator, modelo, surfista etc, devemos compreender que existem muitas possibilidades de relação no encontro dos seres humanos, mas me reporto aqui a um número grande de pessoas que de fato são bastante possessivos com quem ama,na maioria das vezs asfixiando e "matando" simbolicamente, e as vezes factualmente, seus parceiros.
RP: Quando o ciúme deixa de ser "normal" para se tornar patológico?
JF: Quando o sujeito (homem ou mulher) deixa de focar sua própria existência e condições importantes para bem administrar seu dia a dia e passa a viver com o pensamento "preso" no outro, deixando de cuidar de sua vida para vigiar o outro, ficar perseguido pelo fantasma de que será traido, jogando pegadinhas para o outro "cair", perceber que quando você precisa controlar o outro e sua agenda, as coisas estão complicando;o ciúme fica patológico quando a pessoa que ama passa a acreditar que não pode viver sem o outro, fazendo juras de suicídio "se voce morrer, eu me mato", pois esta jura rapidamente pode virar uam ameça de homicídio:"se voce me deixar, eu te mato"; o ciume fica patológico quando numa época como a que vivemos em que se estimula a individualidade, um sujeito começa a ditar regras de conduta para o outro:não beba, não saia, não use estas roupa,voce não vai para este ou aquele lugar sem mim etc
RP: É possível "tratar" o ciúme?
JF: Plenamente, a psicanálise não utiliza o termo cura, mas utiliza o termo tratamento, então há tratamento sim, e o sujeito tem que ter paciencia pois a insegurança que se instala por e pelo Outro, não acontece de um dia para o outro, então o tratamento não será em dias ou meses, trata-se de um tratamento em que o sujeito vai se rever, se reencontrar, pois deve ter se perdido de si, já que precisou colar no Outro para existir, então que o sujeito respire fundo, encha os pulmões de um bom ar, e vá procurar um psicanalista em quem ele possa confiar, transferir sentimentos e rever sua história para pelo menos uma vez por semana durante o tempo suficiente em que ele possa perceber que estar com ele, num ambiente "dele" , o ambiente analítico, aonde ele vai poder falar, ouvir o que diz e começar a se comprometer com o seu discurso e atos, construindo uma possibilidade de existir com o Outro e não pelo Outro.
Jornalista: Fernando Damasceno
Psicóloga Clínica e Psicanalista: Jaqueline Ferreira
SOBRE CIÚME PATOLÓGICO
Revista Plenitude: Todas as pessoas sentem necessariamente ciúme da pessoa amada?
Jaqueline Ferreira: ''Sim, em princípio todos que amam sentem medo de perder a condição de pertencer ao Outro e de NÃO ter o Outro, e o ciume é um sentimento da ordem da insegurança e insegurança está no campo de quem ama, pois quem ama, não quer perder seu objeto amado, senão ficará "solto", desenlaçado, e o ser humano traz em sua construção psíquica,em sua subjetividade a informação cultural de que precisa de uma outra parte para dar conta de [seu desamparo] e ao encontrar esta outra parte, sentem-se mais seguros ou menos inseguros e pensar em perde-la leva o sujeito a se colocar na condição de frágil. Veja que frágil é uma condição humana, já que, ao termos um objeto (uma pessoa)a quem amar, sentimos insegurança e consequentemente ficamos ciumentos e NÃO encontrar a quem amar também remete a insegurança.De qualquer maneira, qualquer que seja o lado no qual o sujeito esteja, ele se sentirá frágil, e amedrontado: se sozinho, sem sua parte da laranja; se amando, sente insegurança e medo de perder sua parte da laranja! ou seja:de fato o sujeito ainda não encontrou nada, continuou no mesmo lugar de ''busca dor''...
RP: Amor e ciúme andam juntos?
JF: Sim, o amor nos coloca num lugar de inseguros, já que não queremos perder a quem amamos e temos a consciência de que não temos, efetivamente, como impedir que algum infortúnio nos "roube" este amor, por isso assistimos tantos parceiros "engordarem" o seu conjuge levando-lhe diariamente doces, frituras e, vemos tantos parceiros passarem "de repente" a interditar saídas a praias, boates , idas a casa de amigas(os), idas a jogos, assistimos famílias serem fragmentadas por que um parceiro impede a ida do outro até a casa de pais, ex-enteados etc
RP: Seria o ciúme sinal de baixa auto-estima?
JF: Penso que não, mesmo o sujeito que tem boa auto estima fica inseguro diante do fantasma de perder a quem ama, fazer análise -é também- uma boa decisão para quem ama , pois colaborará para que este ciúme, esta inseguança não se tranforme numa obssessão, numa insegurança patológica, em que se transforma alianças em algemas,em que se transforma a saúde de um encontro de amor, em um desencontro doentio, patológico. Não quero perder de vista o número de pessoas que fazem ou nunca fizeram análise, que amam e dizem "não ter ciúme",dizem "entender" a profissão do parceiro quando este é stripper, ator, modelo, surfista etc, devemos compreender que existem muitas possibilidades de relação no encontro dos seres humanos, mas me reporto aqui a um número grande de pessoas que de fato são bastante possessivos com quem ama,na maioria das vezs asfixiando e "matando" simbolicamente, e as vezes factualmente, seus parceiros.
RP: Quando o ciúme deixa de ser "normal" para se tornar patológico?
JF: Quando o sujeito (homem ou mulher) deixa de focar sua própria existência e condições importantes para bem administrar seu dia a dia e passa a viver com o pensamento "preso" no outro, deixando de cuidar de sua vida para vigiar o outro, ficar perseguido pelo fantasma de que será traido, jogando pegadinhas para o outro "cair", perceber que quando você precisa controlar o outro e sua agenda, as coisas estão complicando;o ciúme fica patológico quando a pessoa que ama passa a acreditar que não pode viver sem o outro, fazendo juras de suicídio "se voce morrer, eu me mato", pois esta jura rapidamente pode virar uam ameça de homicídio:"se voce me deixar, eu te mato"; o ciume fica patológico quando numa época como a que vivemos em que se estimula a individualidade, um sujeito começa a ditar regras de conduta para o outro:não beba, não saia, não use estas roupa,voce não vai para este ou aquele lugar sem mim etc
RP: É possível "tratar" o ciúme?
JF: Plenamente, a psicanálise não utiliza o termo cura, mas utiliza o termo tratamento, então há tratamento sim, e o sujeito tem que ter paciencia pois a insegurança que se instala por e pelo Outro, não acontece de um dia para o outro, então o tratamento não será em dias ou meses, trata-se de um tratamento em que o sujeito vai se rever, se reencontrar, pois deve ter se perdido de si, já que precisou colar no Outro para existir, então que o sujeito respire fundo, encha os pulmões de um bom ar, e vá procurar um psicanalista em quem ele possa confiar, transferir sentimentos e rever sua história para pelo menos uma vez por semana durante o tempo suficiente em que ele possa perceber que estar com ele, num ambiente "dele" , o ambiente analítico, aonde ele vai poder falar, ouvir o que diz e começar a se comprometer com o seu discurso e atos, construindo uma possibilidade de existir com o Outro e não pelo Outro.
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